quarta-feira, 1 de março de 2017

Subreptícia mente




No meio de uma multidão
Anônima, um olhar faminto
Uma porção de saliva
Uma queda ao chão

Líquido sagrado
Colhido em guardanapo
Teu DNA
Quem sabe um dia
Te duplicar








quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Quimera

Quimera

Tantas vezes a tua voz ouvi
que se fosse os antigos vinis
teria furado, teria riscado, 
e quero isso bem gastado.
Felicidade derrete rápido
escorre depressa demais
líquido intrépido
matérias venais
Tantas vezes vi teu coração
que me enchia
e foi pouco,  foi ilusão
o que sentia
sei que tudo tem fim
chegará a hora
que desaparecerá de mim
mas neste ínterim
fico assim

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Maturação

Aroma acentuado, maciez aprimorada,
sensações tão esperadas...
Resultado de imagem para preto e branco vintage amormanter o frescor sob alta temperatura
aromas, sabores e alturas
Climax
formação de ligações
mudanças bioquímicas
que a espera longa e ilusões
torna melhor a dinâmica
Não importa de esperaremos
outros 10 anos
ou se ficaremos
tecendo planos
o sabor do que maturou
o paladar que aprimourou
o bouquet
só aumenta
o querer.


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Figuras de linguagem

Foi uma noite
e me disseram
que a lua não era de cristal
que estrelas não existiam
que a chuva não faz mal
e que temos os mesmo defeitos
não importam deveres ou direitos.
Noite negra como teus cabelos.
Dias claros como teus olhos.
Que o tempo nunca passou.
E que por isso ninguém viu.
Peixes fora do aquário.
Cabeça de passarinho.
Esqueletos no armário.
Uma situação normal.
Guardada em sacrário.
Até o tempo final.
Uma obsessão, afinidade,
sem término e idade.







segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Diretrizes

Preciso de uma lavação, uma limpeza urgente
que venha sorrateira como onda do mar
Preciso de muita água, espuma de detergente
que leve até as profundezas o mal estar
um bota fora, um descarrego
que ajude a trazer o novo
preenchendo meu desapego
preciso pular, sorrir
e lembrar que neste mundo
música vem primeiro
dormir segundo
comer terceiro

domingo, 6 de abril de 2014

Descascados






Morte marte mente sorte
quem pode te desvendar
do alto de tua corte
de acéfalos a delirar
Santos certos sinto tanto
um século e um manto
de sombra e nuvem
a ocultar
cai quem quer
mal me quer
bem me quer

quinta-feira, 6 de março de 2014

Areias do tempo

Se mais tempo eu tivesse
virar do avesso iria
se mudar o tempo pudesse
tudo se misturaria
e água, pedras e lama
gelo, areia e chama
uma corrente quebrada
e em tudo virava o nada